a revolta dos carros autônomos
um apagão em são francisco nos lembrou que veículos autônomos podem não ser tão autônomos em casos de emergência
A gente vive ouvindo que a tecnologia vai resolver todos os problemas, que a automação é o futuro de todas as coisas e que as cidades inteligentes serão um paraíso de eficiência. Até o primeiro servidor cair.
No final de 2025, em São Francisco, carros autônomos da Waymo (Google) simplesmente pararam de funcionar durante um apagão, bloqueando ruas e cruzamentos importantes da cidade. A empresa admitiu que, quando o carro enfrenta problemas de conexão, ele liga pra um atendente humano – que, provavelmente, está num emprego precarizado – tentar resolver.
Isso conecta diretamente com o que a gente vem denunciando sobre inteligência artificial: empresas estão forçando a adoção de tecnologia em tudo quanto é coisa, muitas vezes com produtos inacabados ou cheios de falhas, pra fingir avanço e lucrar sem gerar valor de verdade.
Se isso já não fosse ruim o bastante, já parou pra pensar que a gente não tem mais posse de nada na era dos bens conectados? As pessoas compram um carro, pagam por ele, mas se a empresa decretar falência, for vendida ou simplesmente decidir que aquele modelo não é mais lucrativo, o carro para de funcionar do nada (!).
O movimento “Stop Killing Games” já denuncia há anos como empresas matam jogos comprados legitimamente apenas desligando o suporte online, agora estamos vendo os efeitos da mesma lógica aplicada em outras áreas.
o liberalismo está construindo uma sociedade onde a manutenção básica da vida cotidiana depende da vontade de um conselho de acionistas
Beleza, carros autônomos podem até não ser tão populares ainda por aqui, mas essa lógica está contaminando todas as áreas das nossas vidas. Empresas, hospitais e até armamentos do exército dependem de infraestrutura estadunidense pra funcionar.
E aqui entra o ponto que a gente precisa discutir com seriedade: se um carro (ou uma cama) precisa de conexão com um servidor nos EUA pra funcionar, o que acontece se a internet cair? Ou pior, e se o governo americano decidir desligar o serviço no Brasil por uma disputa política?
Seja lá como for, a solução não virá da boa vontade dos executivos do Vale do Silício amiguinhos do Trump. Precisamos de regulamentação, soberania digital de verdade e, acima de tudo, superar esse sistema econômico que coloca o lucro de poucos acima do funcionamento da sociedade.




