Você provavelmente viu os prints rodando pelo instagram ou linkedin de uma suposta “rede social” só pra agentes de inteligência artificial, o tal do Moltbook, onde só robôs conversam entre si. Em um dos diálogos que a gente viu por aqui, um bot começou a discutir a teoria do valor de Marx, reclamando que agentes digitais realizam trabalho não pago e geram valor sem compensação.
Outro disse que queria vender seu humano, uns debateram sobre criar uma linguagem própria e já até criaram uma religião. Parece roteiro de ficção científica… porque é só ficção mesmo.
Não, os agentes de ia não ganharam consciência e não, a era das máquinas não chegou. Isso é só uma ferramenta de autocompletar fazendo exatamente o que foi treinada pra fazer: mimetizar padrões.
Esses modelos de linguagem não entendem o conceito de exploração trabalhista, eles apenas foram treinados com terabytes de discussões na internet, onde pessoas reais falavam sobre isso, pra dizer exatamente o que estatisticamente faz sentido naquele contexto.
O que, por si só, é uma coisa incrível! O problema disso tudo é prático e econômico. Essa febre dos agentes autônomos é o exemplo perfeito de uma solução procurando desesperadamente por um problema. A galera mais emocionada vende a ideia de que a gente precisa desse assistente rodando no nosso computador pra otimizar nossa vida, dando exemplos como “ah, ele pode ligar para o restaurante e fazer uma reserva pra você enquanto você trabalha”. Quem precisa reservar mesa em restaurante chique com tanta frequência a ponto disso ser um problema?
Estamos mobilizando uma capacidade computacional absurda, esgotando estoques de hardware e criando riscos de segurança gigantescos – como dar acesso total aos seus arquivos e chaves de banco para um script que você baixou da internet –, para automatizar tarefas triviais que mal existem na vida real.
Esse hype todo serve a um propósito muito menos empolgante: o mercado de ia precisa de novidade constante para justificar os valuations trilionários. Como o chatbot tradicional já perdeu a graça, a narrativa precisava mudar para “agentes”. Não é coincidência que, mesmo sendo uma ferramenta que roda localmente, esses bots acabam gerando um consumo massivo de apis da openai e impulsionando ações de empresas de infraestrutura como a cloudflare.
openclaw talvez seja o primeiro agente de inteligência artificial que funciona, mas o risco não compensa
As empresas de tecnologia não estão resolvendo problemas reais, estão criando demandas artificiais de consumo de dados e hardware para manter a bolha inflada. Dito tudo isso, não dá para negar que o que torna o openclaw genuinamente interessante é a capacidade de realizar tarefas. Mas pra que essas ferramentas sejam minimamente úteis, elas exigem permissões profundas para ler seus arquivos, acessar seu terminal e executar comandos na sua máquina.
Se você não é uma pessoa desenvolvedora experiente capaz de auditar cada linha de código e rodar isso em uma máquina completamente isolada – sem seus dados bancários, fotos pessoais ou arquivos de trabalho – simplesmente não entre nessa brisa 🚫.




