na china é proibido substituir trabalhador por inteligência artificial
enquanto isso a meta tá demitindo seus funcionários pra poder financiar mais infraestrutura computacional
Um tribunal em Hangzhou, na China, decidiu que empresas não podem demitir trabalhadores só porque ferramentas de inteligência artificial conseguem executar as mesmas tarefas por um custo menor. Simples assim. Essa decisão foi tomada num caso onde uma empresa de tecnologia demitiu seu funcionário que tinha como tarefa avaliar a qualidade de interações de uma IA com os usuários.
A empresa alegou que a função dele deixou de ser necessária por causa dos avanços da própria inteligência artificial (ironicamente) e tentou transferi-lo pra outro cargo com redução salarial de 25 mil para 15 mil yuans. O funcionário não aceitou a “oferta”, e a empresa encerrou o contrato dele. Só que aí, em abril de 2026, a justiça chinesa entendeu que a adoção de inteligência artificial é uma estratégia voluntária da empresa, então o risco não pode cair todo sobre o trabalhador e não torna um contrato de trabalho impossível de cumprir – condição que, em certas situações, poderia justificar a demissão devido à automação do trabalho.
E essa não foi uma decisão isolada. Meses antes, um painel de arbitragem em Pequim já tinha feito o mesmo num caso de um coletor de dados de mapas que também foi substituído por inteligência artificial. E assim, vai se criando um clima terrível para os CEOs de SaaS que querem ter a liberdade de demitir todos os seus (zero) funcionários sem intromissão do Estado (pelo menos na China, por enquanto).
não temos nada a perder a não ser nossas correntes
Nos últimos anos vimos um monte de gente reproduzindo esse discurso bem raso de que o “progresso é inevitável” e, por isso, é impossível impedir que a IA substitua milhões de emprego. Não é que as empresas vão te substituir, é a inteligência artificial. Como se a substituição da mão de obra humana fosse algo que acontece, não algo que se decide.
Enquanto a China tá decidindo que inteligência artificial não é desculpa pra demitir funcionários, os estragos unidos estão indo pro caminho oposto.
A Meta anunciou que vai cortar 8.000 vagas a partir de 20 de maio, 10% da força de trabalho global, só pra financiar mais infraestrutura de IA.
Por isso, é importante entendermos que a substituição dos empregos que se fala tanto na área de tecnologia não é a automação total do trabalho humano. Na real, o mais provável de acontecer é esse trabalho começar a deixar de existir pra nós e começar a ser realizado por uma empresa muito mais eficiente (e mais cara) em outro país.
Bryan Catanzaro, vice-presidente de deep learning da Nvidia, admitiu recentemente que computação já custa mais caro do que pagar o time dele. Trocar pessoas por GPU hoje, na média, é prejuízo. Não só econômico, como social. E a China já entendeu isso.
A decisão do Tribunal de Hangzhou é um exemplo bem claro de que cada demissão em massa que visa substituir pessoas por IA é um ato deliberado e executado por pessoas com interesses políticos e que querem jogar nas costas dos trabalhadores o custo dessa automação.




