por que o trump odeia o pix?
não sobrou nada pra narrativa liberal de que o setor privado detém o monopólio da inovação tecnológica
O mercado global de tecnologia passou a última década tentando acabar com a intermediação do Estado nas transações financeiras. Fundos de capital de risco queimaram bilhões de dólares tentando emplacar as criptomoedas como solução de pagamento cotidiano, até a meta tentou implementar o whatsapp pay no Brasil com o objetivo de transformar o aplicativo de comunicação mais popular do país em um produto financeiro, capturando o fluxo de transações cotidianas e convertendo a atenção da população em receita direta.
Só que no final dessa corrida pra ver quem dominaria o futuro do pagamento digital, a resposta para o problema mais básico de circulação de valor não veio de uma startup de são francisco, veio de uma infraestrutura estatal centralizada pelo banco central brasileiro.
O pix desmontou a narrativa liberal de que o setor privado detém o monopólio da inovação tecnológica e quando a gente olha pra trajetória dessa tecnologia, fica claro que o sucesso estrondoso e que mudou nossa própria relação com o dinheiro é resultado de um serviço orientado à utilidade pública.
Ele foi projetado para ser invisível e aberto, você não precisa baixar um aplicativo exclusivo pra usar e nem pagar taxas (só se for pessoa jurídica). Com isso, o Estado brasileiro transformou o celular em ferramenta financeira pra milhões de pessoas que eram excluídas pelos bancos tradicionais – e fez isso melhor que qualquer big tech.
É essa eficiência que incomoda tanto a burguesia estadunidense. O sistema financeiro deles roda em uma rede arcaica de intermediários privados e operadoras de cartão de crédito que cobram taxas abusivas sem sequer oferecer uma boa experiência. Pra você ter ideia, o tempo de processamento de transferências naquela carroça do zelle, o mais próximo do pix de lá, é medido em minutos 🤮
Empresas como mastercard e visa criaram um verdadeiro monopólio sobre as redes de pagamento do Brasil e de vários outros países dependentes de tecnologias estrangeiras, com um sistema projetado pra extrair lucro de cada transação nossa e enviar para o norte global. Quando setores da política e do mercado estadunidense atacam a infraestrutura pública brasileira chamando o pix de prática anticompetitiva, é o pânico do colonizador percebendo que o sul global sabe que não precisa dele – e consegue fazer melhor.
O Pix é a prova concreta e em larga escala do poder político que o design de serviços tem quando está desvinculado da necessidade de extrair lucro a qualquer custo. Só falta parar de usar o serviço de empresas estadunidenses pra armazenar e processar os dados, mas pelo jeito aí já é pedir demais…




