serpro abre a porta para aws e palantir invadirem o brasil
sob o pretexto de que o estado não tem tecnologia nem conhecimento, o Serpro atua como um revendedor das big techs estrangeiras
e aí, feliz 2026! 🎉
depois de um breve intervalo, voltamos com a newsletter semanal do TeClas e estamos preparando algumas novidades: colabs, conteúdos novos e uma mudança na identidade visual – començando hoje 🐙
muito obrigado por acompanhar nosso trabalho! agora, vamos ao artigo
A política de soberania digital performática e pela metade que o governo Lula vem fazendo, tá entregando os dados da população brasileira para as big techs estadunidenses fazerem a festa.
Desde o ano passado, o Serpro acionou a Nuvem Soberana: um serviço apoiado na estrutura da AWS, Google, Huawei, Oracle e Microsoft – alocando dados governamentais em hardwares e softwares proprietários de monopólios estrangeiros.
Através dessa parceria com a AWS, o Serpro acessa o AWS Marketplace, um ecossistema que integra fornecedores parceiros da Amazon. Na prática, isso autoriza que órgãos públicos contratem serviços de terceiros, sem licitação, como se estivessem contratando a própria estatal brasileira.
Sob o pretexto de que o Estado brasileiro não tem tecnologia nem conhecimento técnico para processar grandes volumes de dados, o Serpro atua como um intermediário de grandes corporações estrangeiras para gerir políticas públicas.
E o Governo chama isso de soberania 🤡
se quiser entender o que é soberania digital no contexto brasileiro, tem vídeo sobre isso no canal
O caso do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) ter contratado a Palantir é um exemplo claro de como isso é o oposto de soberania digital.
A Palantir começa como uma empresa de análise de dados ainda no Paypal – fundada por Peter Thiel, figura central da extrema-direita nos estados unidos –, mas logo percebe que poderia pivotar para um mercado muito lucrativo. Hoje ela desenvolve tecnologias de vigilância para a CIA, o Pentágono e agências de imigração como o ICE, atuando diretamente na deportação de imigrantes e em operações militares que causam a morte de inúmeras pessoas.
Como a Palantir faz parte da AWS Marketplace, qualquer órgão público pode contratar seus serviços sem a necessidade de qualquer aprovação prévia. E graças a esse atalho, o FNDE, que é responsável por um orçamento bilionário e pela gestão de recursos educacionais em todo o país, entregou a análise dos nossos dados para uma empresa de espionagem e de guerra dos eua.
veja esse vídeo para entender o que é a palantir
O argumento técnico baseado em inovação e eficiência serve só pra mascarar a decisão (política) de não desenvolvermos capacidade tecnológica nacional. Ao contratar soluções prontas de empresas diretamente ligadas ao imperialismo estadunidense, o governo renuncia à autonomia no desenvolvimento de inteligência artificial e processamento de dados, aprofundando nossa dependência tecnológica e o colonialismo digital.
Embora o discurso do governo Lula afirme que nossos dados estão armazenados fisicamente em datacenters no Brasil, isso não é soberania digital. A verdadeira soberania é impossível enquanto a infraestrutura base do país operar como uma franquia revendedora das big techs.
Precisamos exigir que o orçamento público seja investido não na contratação de empresas estrangeiras que defendem os interesses de outros países, mas na construção de uma infraestrutura estatal que seja, de fato, brasileira.




