ice opera como braço armado do regime estadunidense
vamos falar sobre o papel da tecnologia na repressão da ditadura estadunidense que cada vez mais se volta aos seus próprios cidadãos
O que tá rolando em Minnesota nas últimas semanas é a prova de que o ICE, que atua como polícia migratória, é uma milícia ideológica financiada pelo regime estadunidense. Essa agência opera como o braço armado do projeto fascista liderado por Trump, usando a infraestrutura pública para perseguir inimigos políticos internos e qualquer cidadão que ouse discordar das ações do Estado.
Os assassinatos de Renée Good e Alex Pretti chamaram muita atenção na mídia nas últimas semanas, mas é bem sintomático como só percebem o resultado das mesmas táticas de vigilância, rastreamento e autoritarismo que os Estados Unidos historicamente exportaram para a periferia do capitalismo quando se voltam aos seus próprios cidadãos que não são lidos socialmente como minorias raciais.
Tem vídeo no canal sobre a relação do ICE com empresas de vigilância, mas é importante reforçar aqui: sem a infraestrutura (e conivência) das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, a atuação do ICE não seria possível.
Aliás, já falamos algumas vezes aqui no TeClas que quem fornece a munição para essa guerra interna não são apenas fabricantes de armas, mas também as big techs moderninhas que decoram seus escritórios com pufes coloridos, mesa de sinuca e cervejeira. Empresas como a Palantir vendem a infraestrutura de inteligência que permite ao Estado monitorar, classificar e perseguir tanto imigrantes quanto cidadãos nativos.
Ainda sobre o caso de Alex Pretti, um dos agentes do ICE envolvidos diretamente na execução estava gravando a cena com seu celular pessoal, criando conteúdo para a base de apoiadores das medidas do regime Trump.
Enquanto ativistas palestinos ou de movimentos que lutam pela superação do capitalismo sofrem shadowban e têm alcance cortado por discurso de ódio, agentes do Estado podem publicar cenas de violência e propagar mentiras livremente. As redes sociais, como empresas capitalistas, têm interesse direto na manutenção da ordem burguesa e do aparato de segurança dos EUA. Existe um alinhamento ideológico.
E é por isso que precisamos planejar ações de resistência, entender o nosso papel histórico e nos preparar para situações assim aqui no nosso país. Um exemplo muito interessante – apesar da interface duvidosa – é o iceout.org, uma ferramenta de contra vigilância em tempo real que a comunidade de Minnesota desenvolveu. As pessoas podem registrar a posição dos agentes, adicionar fotos, horário e dados que ajudam a reconhecer as pessoas envolvidas. Tipo um Waze.
Na verdade, um exemplo melhor ainda é a própria plataforma que a Palantir oferece ao ICE. Uma ferramenta que mapeia a posição de “possíveis alvos” e vem até com um índice de confiança dos dados das pessoas vigiadas 🤡
A lição que fica pra gente aqui no Brasil – onde a polícia mata muito mais que o ICE – é que a tecnologia precisa ser disputada. Saber levantar um servidor seguro, criar redes de comunicação criptografada que não dependem das operadoras e desenvolver ferramentas para as organizações revolucionárias são formas de colocar nosso conhecimento em defesa da nossa classe.




