microsoft está extorquindo a fiocruz
uma mudança de contrato da microsoft é responsável pela fiocruz perder 98% do espaço de armazenamento que tinha contratado
Você sabia que a maioria das nossas instituições nacionais, como universidades e centros de pesquisa, tem contratos de acesso à nuvem com empresas dos estados unidos?
E que, às vezes, essas empresas renegociam os termos pra fazer meio que uma “extorsão” das nossas instituições que, depois de décadas de trabalhos, pesquisas e dados armazenados, simplesmente não podem perder o acesso ao serviço?
Então, foi assim que a Fiocruz perdeu 98% do espaço que ela tinha contratado com a Microsoft.
A Fundação Oswaldo Cruz é uma instituição brasileira importantíssima da área da saúde que foi fundamental na pandemia, tem editora própria, instituição de ensino, centros de pesquisa e é um dos dois únicos laboratórios de vacinas pra humanos do país – já os que fazem vacina pra bois tem mais de trinta 🤡
Por isso que a Fiocruz gera um volume imenso de dados e tinha um contrato de 30 petabytes de armazenamento na nuvem da Microsoft, pagando cerca de R$ 8,6 milhões por ano até 2024.
Só que a lógica dessas corporações é mafiosa. O tal grupo GAFAM (Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft) oferece sua infraestrutura a um custo mais baixo ou até de graça no início, como fizeram na pandemia. Quando a instituição já está totalmente dependente e com todos os seus dados lá dentro, eles mudam as regras.
Em 2024 mesmo a Microsoft mudou a política da empresa, provavelmente naquela leva quando o governo Trump foi eleito, e decidiram mudar esses contratos da educação. O valor do contrato da Fiocruz saltou pra R$ 11,6 milhões e o espaço de armazenamento foi reduzido de 30 petabytes para apenas 730 terabytes – um corte de 98% 😐
A Fiocruz não é a única afetada por essas políticas. Universidades federais do Ceará, a rural de Pernambuco, a do Paraná, todas tiveram problemas com esses contratos com Microsoft e Google também.
Tem um site que chama Observatório da Educação Vigiada que mapeia a dependência dessas big techs no setor da educação e da pesquisa na América Latina e África. De acordo com o levantamento, 80% das universidades brasileiras dependem de armazenamento da Google ou Microsoft. Só o Google é responsável por 71% dos serviços de e-mail das instituições.
tudo isso é reflexo de uma falta de estratégia de soberania nacional
Em janeiro a gente publicou um texto sobre como a Serpro tá dependendo de parceria com essas big techs estrangeiras pra construir a tal “nuvem soberana” 👇
A gente gasta bilhões com licenças de software estrangeiro todo ano – um dinheiro que deveria estar sendo investido na construção e manutenção da nossa própria infraestrutura e na contratação de profissionais aqui dentro –, pra que todos os nossos dados e pesquisas sobre doenças, produção de vacinas e até do agronegócio fique nas mãos de empresas controladas por um país que está eternamente em guerra.
Para o império estadunidense, é só vantagem: eles nos extorquem financeiramente, diminuem a velocidade do nosso desenvolvimento tecnológico e nos mantêm subalternos.
Quando as crises globais apertarem, os cabos submarinos forem cortados ou a escassez de componentes de hardware piorar, adivinha quem vai ficar sem acesso à internet e aos próprios dados? Nós, os países periféricos.
Então eu pergunto pra você: quem vai ter a internet restrita no futuro próximo?
Precisamos usar nosso conhecimento e nossos recursos para desenvolver soberania digital de verdade, que sirva à classe trabalhadora e não aos monopólios estrangeiros.
O caminho é construir o nosso. Certo, camaradas? 🚩






Vejo no dia a dia essa interação acontecendo com contração de empresa privada pra levantar infraestrutura na nuvem pra empresa pública. É triste demais.